
Certa vez eu li um texto sobre os pássaros que dizia serem essas aves feitas para estarem livres, por isso o motivo de terem asas: estar voando livremente no céu, espalhando seu colorido e seu canto. Este mesmo poema diz que o homem, sendo o mais egoísta dos animais, resolveu aprisionar esses pássaros para ter seu colorido e seu canto somento para si. Assim, depois de muito tempo acostumado à prisão, o pássaro acaba perdendo seu brilho, e seu canto passa a ser o lamento por uma triste saudade do tempo em que vivia livre... Talvez por pena, talvez por mais egoísmo ainda, o homem, por vezes resolve soltar novamente esse pássaro que, já acostumado e obediente, acaba sempre voltando à sua prisão...
Os poemas são como pássaros, nascem para ser livres, chegam e vão sem saber onde vão pousar. O amor não é uma gaiola é, antes de tudo, o galho da árvore ou as pedras dos rios onde esses pássaros pousam e descansam. Enquanto pousam, inebriam a alma de quem estiver por perto com a beleza de seu canto. E, por viverem livres e pousarem onde lhes é mais agradável, por vezes resolvem ficar onde encontram o aconchego da natureza e onde as árvores lhes oferecem galhos mais altos e segurança para a formação dos seus ninhos, por isso ali ficam e repousam...
Eu gosto de pensar que o amor é assim, um lugar agradável e confortável, não uma prisão para onde você volta por terem domado seu espírito...
G.